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Morro do Cachorro

blumenauemcadernostomoxivn10Morro do Cachorro é um dos pontos mais altos do município de Blumenau, e possui 857 metros acima do nível do mar. Está situado no bairro Itoupava Central, e fica no limite de Blumenau com Luis Alves e Gaspar. Em 23 de Julho de 2013 foi registrada a ocorrência de neve neste morro. 

Analisando textos da Revista Blumenau em Cadernos, encontramos um artigo chamado "História do Morro do Cachorro", que foi publicado na edição nº10 do Tomo XIV, páginas 193-194, revista de 1973.

O texto é uma reprodução relativa à nota de autoria de G. Artur Koehler, que foi diretor do periódico Der Urwaldsbote, e publicou essa história no seu jornal, no número 5 de 29 de junho de 1905.

Conforme Koehler, o Morro do Cachorro é uma elevação de destaque na paisagem de Blumenau, sendo a terceira maior elevação do território. Também foi chamado Morro Dna Carolina Jensen, terras que pertenciam a esta família. O local era de difícil acesso, e não havia estrada como a que existe hoje devido o sistema de antenas de transmissão.

No texto é possível identificar alguns elementos da paisagem da época:

"[...] do cume desse morro, situado na divisa entre Blumenau e Gaspar, descortina-se uma visão maravilhosa de todo baixo Itajaí, vendo-se em dias claros, muitas das localidades da região, como Brusque, Ilhota, Luiz Alves, Itajaí, as praias litorâneas desde Barra Velha e Porto Belo [...] Dê lá de cima, diante daquela paisagem estonteante, pode-se também, ter uma ideia exata da topografia de todo o vale, que não passa de uma sucessão de elevações, algumas formas exóticas ou bizarras, e de estreitas várzeas agriculturáveis cortadas de inúmeros pequenos rios e riachos, pontilhada de povoações, com suas igrejinhas brancas pondo no verde do ambiente uma nota de bucolismo e de poesia [...] mas nos tempos da colonização, e nos princípios desse século ( referindo-se ao XX) galgar aquela elevação era uma verdadeira aventura. Era uma tarefa de autêntico alpinismo, pois as encostas do morro são bastante ingrimes e a subida a pé, pela floresta quase impenetrável, é cheia de percalços de difícil transposição"

 

É possível destacar destes trechos citados uma descrição do vale do Itajaí, da sua formação geográfica ondulada, repleta de montanhas e vales. E nas várzeas aglomerados humanos, com uma paisagem de uso do solo destacada. Também demonstra elementos da paisagem do morro, que possuía densa floresta, pois foi visualizada como impenetrável.

A história segue e conta como o morro ganha esse nome. Conforme nos conta Koehler, em 1875 uma expedição comandada por Felippe Volles resolve subir o destemido morro. No texto alguns detalhes da natureza do morro são citados referindo-se a subida do grupo

"[...] Foram progredindo com muito esforço, firmando o pé nos inúmeros pedrouços, nas saliências das raízes e agarrando-se aos anosos troncos da densa vegetação [...]"

Na companhia de Volles estava Júlio Sametzki, alferes de Dr. Blumenau, e que possuía uma cadelinha que sempre o acompanhava. Nesta expedição a cadela ficou em casa, mas escondida de seu dono resolver segui-lo. Quando a expedição estava na metade do caminho, por surpresa do grupo a cachorrinha apareceu. O grupo resolveu leva-la junto, pois para descer do morro daria muito trabalho. O fato é que a cadela estava prenha, a ao chegarem no cume do morro ela entra em parto e faz nascer quatro lindos cachorrinhos. O grupo decidiu matar os filhotes pois não haveria como desce-los e a cachorrinha foi levada no colo por um dos colonos participantes. A história ganhou bocas e o morro da Dna Carolina Jensen foi sendo chamado de Morro dos Cachorros, e hoje apenas de Morro do Cachorro.

neve morro do cachorro   neve morro do cachorro2
*Registro de neve em 23 de Julho de 2013

 

Nosso grupo pedalou morro acima no dia 27 de Maio de 2016, quase um século e meio após os primeiros desbravadores alcançarem o cume. Para chegar até na estrada do morro do Cachorro é bem fácil. Em direção a Vila Itoupava em Blumenau, passando o posto da polícia rodoviária é a primeira rua a direita. O nome da rua é "Rua Rio Bonito" e uma dica importante para quem não quiser ir pedalando até o local é deixar o carro no estacionamento da polícia. Na atualidade existe uma estrada que é possível chegar até o cume do morro. As condições da estrada não são tão ruins e enquanto estávamos subindo encontramos um carro que provavelmente presta serviço de manutenção nas antenas. Este carro, um Uno Mille, chegou sem problemas até o topo do morro. Um tanto mal humorado diga-se de passagem.

No caminho encontramos diversas casas coloniais, sítios e pequenas fazendas. Pelo menos 3 cachoeiras podem ser observadas antes de chegar no cume do morro, fator que deve ser muito mais atrativo em um dia de verão e calor. Infelizmente paramos somente para descansar nas cachoeiras pois neste dia estava frio e chovendo. A natureza é bela no caminho e uma diversidade enorme de fauna e flora pode ser observado. Paramos até para "roubar" uma goiaba e uma carambola na beira da estrada.

Quando chegamos no topo do morro, alguns cachorros vieram ao nosso encontro. Entendemos a relação com o nome do morro, felizmente todos eram mansos e por fim dividimos o lanche com eles. Uma música abafada vinha de algum lugar, provavelmente de uma das duas casas construídas no cume que serviam de suporte para manutenção das antenas. Uma música de rádio AM, bem arranhada e antiga. A música, a névoa, o frio e a chuva, por um instante pareceu uma cena do filme "Silent Hill", mas ficou tudo bem no final.

A descida é espetacular. Um downhill emocianente na estrada de barro molhada. Muita lama e barro por todos os lados. E com certeza vale cada centímetro da subida. 

O que podemos destacar como negativo é o descaso com a estrada em alguns pontos e a falta de sinalização no local. Por ser um atrativo em nossa região, o mirante e o caminho deviam estar mais cuidados. Uma plaquinha de madeira não custa nada e tudo ficaria mais belo se prestarmos atenção nestes detalhes. Por que não um "totem" de madeira no alto do morro indicando a altura. Quem sabe umas flechinhas indicando a direção das cidades que fazem fronteira com o morro. Pequenos detalhes deixariam fantástico o lugar. Quem sabe um dia né ?

Confira algumas fotos tiradas no dia e outras em um dia sem chuva:

Fonte: A HISTÓRIA DO MORRO do cachorro. Revista Blumenau em Cadernos, n.10, Tomo XIV, p.193-194, 1973.

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